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Momento especial na programação do Cine Brasília esta semana, a mostra Francofonia traz sete filmes inéditos de países como Suíça, Bélgica, Canadá, Luxemburgo e, claro, França. Alguns deles são coproduções com Estados africanos como Camarões, Costa do Marfim, Gabão e Burkina Faso, o que garante uma grande diversidade temática à programação.

A data de Francofonia não foi escolhida por acaso e não está restrita à mostra do Cine Brasília. Neste mesmo dia e mês, cidades do mundo inteiro se juntam em uma grande celebração em torno da riqueza da língua francesa e da pluralidade das culturas francófonas. O francês está presente em mais de 36 países. Em 29 deles é o idioma oficial. E para celebrar a diversidade em torno da língua francesa, o mês da francofonia traz uma rica programação artística e cultural. No Brasil, representações de 54 países membros da Organização Internacional da Francofonia (OIF), participam da iniciativa que busca promover os valores que transcendem o cinema – ou se utilizam da linguagem do cinema – para difundir princípios básicos da democracia, da paz, dos direitos humanos, do diálogo entre culturas e civilizações, da solidariedade e do desenvolvimento, da educação e do compartilhamento do conhecimento. A mostra de filmes francófonos começa no dia 23, quinta-feira, e prossegue até o dia 29, a entrada é gratuita!

Nesta mesma semana, o Cine Brasília promove as estreias de duas importantes produções nacionais: Raquel 1.1, de Mariana Bastos, e O Rio do Desejo, dirigido por Sérgio Machado. Raquel 1.1 é um singular filme de suspense/terror que discute religiosidade, cultos evangélicos sob a ótica do radicalismo de nossos tempos. O filme transita pelo cinema de gênero de forma altamente eficaz. O contexto é uma pequena cidade do interior. A diretora Mariana Bastos nos dá uma ótima contextualização da história no momento mesmo em que a protagonista e sua família chegam numa pequena cidade e encontram um grupo de religiosas adolescentes fanáticas. Criada na cidade grande, a jovem logo sente o choque de suas ideias com o grupo de meninas defensoras de dogmas religiosos anacrônicos, de crenças malucas e toda sorte de pensamento extremo e preconceituoso. Embora isso já forneça uma ótima premissa para o que se vai desenvolver mais adiante, a trama principal se desdobra em várias outras que têm como fundamento principal a esmagadora opressão religiosa da população local. No filme, a igreja é um “aparelho ideológico” a serviço da opressão contra as mulheres. Toda a histeria que vemos no filme proporciona inúmeras analogias com o que se passa no Brasil de hoje.

O Rio do Desejo, baseado no conto O Adeus do Comandante, de Milton Hatoum, tece uma trama onde a personagem de Dalberto, comandante de um barco, transporta um passageiro misterioso vivido pelo extraordinário ator peruano Coco Chiarella, que faleceu de covid, aos 77 anos, logo após as filmagens, em 2021. O enredo do filme segue uma longa e arriscada viagem pelo rio Negro até Iquitos, no Peru, com o propósito de amealhar recursos extras para realizar o sonho da mulher, Anaíra, com quem acabara de se casar. No conto original de Milton Hatoum há um componente de forte misticismo, de força do sobrenatural, que não está presente no filme – a não ser na presença premonitória da cozinheira que não sorri. “O Sérgio preferiu enfatizar a relação dos três irmãos com a personagem feminina, Anaíra, interpretado por Sophie Charlotte. O cineasta Sérgio Machado pediu ao escritor amazonense que escrevesse mais dois ou três textos inéditos para encorpar o roteiro e desenvolver a relação entre os quatro personagens principais do filme. Tanto no livro como no filme estão presentes o mistério e o desejo, forças motrizes do conflito.

A Mostra Isabelle Huppert – 70 Anos em 7 Filmes, uma parceria do Cine Brasília com o grupo Petra Belas Artes de São Paulo, para celebrar os 70 anos da grande atriz francesa Isabelle Huppert permanecerá em sessões do fim de semana no nosso cinema. Vamos reexibir dois títulos dirigidos por Claude Chabrol: Madame Bovary e Mulheres Diabólicas. Também daremos sequência ao ótimo Belas Promessas, último filme estrelado por Isabelle Huppert e que acompanha os outros filmes da mostra em sua homenagem. A obra do diretor Thomas Kruithof tem como tema as maquinações políticas que fazem, e sempre fizeram, parte do jogo político. Belas Promessas foi exibido na mostra Horizonte do Festival de Veneza. O diretor requisitou Isabelle Huppert como a sua grande protagonista porque sabia que ela se adequaria inteiramente ao papel. O filme, assim como os outras obras apresentadas na mostra, demonstram a incrível versatilidade da artista.

No filme, Huppert interpreta Clémence Collombet, ex-médica e prefeita de uma cidade empobrecida nos arredores de Paris. Sua carreira está perto do final, logo serão as eleições, e ela espera abandonar a política. Ela é honesta e competente, mas sem grandes ambições. Porém, um convite para integrar um ministério pode mudar seus planos e sua visão de mundo. Ela percebe então que os embates que terá pela frente são muito mais duros do que imaginava.

Nas sessões infantis das 10h, o Cine Brasília apresenta O Grande Mauricinho, adaptação para o cinema de um dos escritores ingleses mais queridos do mundo da fantasia, Terry Prachett. O filme tem como protagonista um gato falante que viaja de cidade em cidade oferecendo seus serviços como exterminador de ratos. Com direção de Toby Genkel, O Grande Mauricinho traz as vozes de Marcelo Adnet como o gato Mauricinho e Sophia Valverde, interpretando a menina Marina. Com roteiro assinado por Terry Rossio, roteirista de sucessos como Aladdin e Shrek, o filme conta a história do gato viajante e falador, que com ajuda seu parceiro Kinho, um menino que toca flauta muito bem, leva os ratos a marchar para longe da cidade, para o alívio dos habitantes.

Curtiu a programação?  Acompanhe os horários no site e aproveite para assistir importantes obras do audiovisual ao longo da semana. Desde 2022, a casa do cinema brasileiro possui uma nova gestão compartilhada entre a OSC Box Cultural e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. O espaço cultural segue sob a direção geral de Sara Rocha e curadoria de Sérgio Moriconi.

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