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Dia 30 tem pré-estreia do documentário Corpolítica com debate após a exibição com diretor Pedro Henrique França e convidados.

 

Excepcional animação, Josep, do diretor Aurel, estreia no Cine Brasília depois de consagrado em dezenas de festivais. O filme integrou a seleção oficial do Festival de Cannes em 2020, recebeu o Prêmio de Melhor Filme de Animação Europeu e foi apresentado no tradicional Festival de Annecy. Animação dirigida ao público adulto, Josep se passa em fevereiro de 1939, quando republicanos espanhóis estão fugindo da ditadura de Franco para a França. A história é baseada em fatos e personagens verídicos: o governo francês acenou com a possibilidade de ajuda, mas construiu campos de refugiados isolados, confinando os estrangeiros, onde eles mal tivessem acesso à higiene, à água e a alimentos. Em um desses acampamentos, separados por arame farpado, dois homens se tornam amigos. Um é guarda, o outro é Josep Bartoli (Barcelona 1910 – NYC 1995), um ilustrador que luta contra o regime de Franco.

Josep Bartoli, personagem que inspirou a animação, foi um dos grandes expoentes das artes gráficas espanholas. Sobre ele, afirmou o diretor e também cartunista Aurel: “O que tentei com as narrativas cinematográficas foi transformar a saga de Bartolí em um filme sobre exílio e sobre o fascínio da memória”. E continua: “A principal reflexão que tento abrir é discutir como a arte pode ajudar alguém a sobreviver e contagiar o espírito libertário de todo um povo”.

O contexto dramático se inicia um pouco antes da entrada da França na Segunda Guerra Mundial. O país acolheu refugiados espanhóis que escaparam do cerco à cidade de Barcelona. Em vez de uma ajuda humanitária apropriada, a França confinou homens, mulheres e crianças em campos de concentração, num tipo de tratamento próximo àquele oferecido pelos alemães do Terceiro Reich aos judeus. Josep conta essa história a partir da perspectiva de um homem prestes a morrer, alguém que no presente olha para esse passado longínquo com uma enorme melancolia residual. A estrutura do roteiro é clássica e enfatiza as passagens de memória, muitas delas aterradoras. Serge,o protagonista, já debilitado pela idade, conta o episódio para seu neto, de quem pouco se lembra. Mas, para além do enredo, Josep conta com imagens de uma beleza exuberante, raras vezes vistas no cinema de animação. Devido a parceria com Cinemateca da Embaixada da França e do Institut Français, os ingressos para as sessões da animação francesa têm preço único de R$ 5,00.

No dia 30, o Cine Brasília promove a pré-estreia do documentário Corpolítica, do diretor Pedro Henrique França. O filme, que tem direção e roteiro de Pedro Henrique França, acompanha as candidaturas de quatro pessoas LGBTQIA+ às eleições de 2020. Após a exibição do documentário haverá um debate com o diretor.

Meu Primeiro Cinema – Mostra de filmes para a infância acontece entre 30 de maio a 4 de junho, nas sessões das 9h30 e das 14h30. Sob a coordenação geral de Leo Hernandes e curadoria de Clarice Cardell e Vicky Romano, a mostra oferece programação para a garotada de todas as idades, desde bebês de 0 a 5 anos até crianças de 11 anos. As sessões são separadas por faixa etária: às 9h30, crianças de 8 a 11 anos; às 14h30, crianças de 6 a 8 anos; e a Mostra Bebelume, para os bebês, sempre às 10h e às 15h. A mostra será aberta ao público do Cine Brasília apenas nos dias 3 e 4 de junho, com entrada franca. Nos demais dias o evento recebe estudantes de escolas. (Mais informações em release anexo)

A Cidade dos Abismos, de Priscyla Bettim e Renato Coelho, visita a São Paulo decadente, apresentando a cidade a partir do olhar de suas figuras errantes, mantidas à margem da sociedade, num Brasil em constante convulsão. O filme possui os recursos de acessibilidade legendas, audiodescrição e janela de Libras através do aplicativo MobiLOAD.

As Órfãs da Rainha retrata um dos episódios menos conhecidos da nossa história, foi a grande inspiração da cineasta mineira Elza Cataldo neste seu novo longa-metragem. O título do filme, segundo explica a diretora, se refere a uma categoria de mulheres que vieram para o Brasil a contragosto para formar as primeiras famílias brasileiras. Todo rodado no interior de Minas, numa vila cenográfica construída em Tocantins, na Zona da Mata mineira, terra natal da diretora, o filme narra a trajetória de Leonor, Brites e Mécia, jovens criadas como católicas, sob a proteção da Rainha de Portugal, após a morte dos pais na fogueira da Inquisição. O longa conta uma história de amor e intolerância no contexto histórico da chegada da inquisição no Brasil no século XVI. A produção contou com a consultoria de historiadores importantes como Ronaldo Vainfas e Mary Del Priore.

O período é o final do século XVI. A monarca envia as três irmãs de origem judaica para a colônia brasileira com a ordem de se casarem. O filme enfatiza a tentativa delas se adaptarem à diversidade e precariedade do Novo Mundo, ignorando a própria origem cristã-nova. Nesse processo, elas acabam desenvolvendo relações amorosas inesperadas e profundas: Leonor se apaixona por Escobar e com ele tem filhos, Brites tenta conquistar o marido violento e Mécia, que permanece solteira devido a uma deficiência física, se encanta com um indígena. A situação das jovens se torna insustentável quando um Inquisidor chega ao Brasil. As três irmãs são denunciadas por seus hábitos domésticos, impregnados de indícios da religião judaica.

A importância de As Órfãs da Rainha se dá por fazer conhecer aos brasileiros uma realidade absolutamente inexplorada no cinema – e em outros campos da arte – sobre o nosso processo de colonização entre os séculos XVI e XVIII. A Inquisição faz parte desse contexto, perseguindo principalmente judeus que vieram da Europa. Muitos argumentam que por aqui não “teve fogueira nem, por exemplo, um Tribunal do Santo Ofício”, mas ela perseguiu indivíduos de ambos os sexos e, “nos casos considerados mais graves, as pessoas eram enviadas para Portugal e lá, sim, eram queimados em praça pública”, ressalta a diretora Elza Cataldo. No elenco, atores consagrados do Teatro Galpão de Belo Horizonte. Entre eles, os extraordinários Inês Peixoto, Eduardo Moreira e Teuda Barra. A direção de fotografia é de Fernanda Tanaka.

O Homem Cordial, segundo longa-metragem do brasiliense Iberê Carvalho, que tem no elenco Paulo Miklos, Thaíde e Roberta Estrela D’Alva, permanece em cartaz no Cine Brasília. O tratamento aqui é inteiramente distinto de O Último Cine Drive-in, auspiciosa obra inicial, toda ela rodada em Brasília, e de temática muito próxima à vivência dos brasilienses. A história de O Homem Cordial se passa quase em sua totalidade numa única noite. As reviravoltas surpreendentes servem muitas vezes a denúncias e comentários críticos sobre questões sociais importantes. Questões de raça estão no centro das preocupações de Carvalho. O Homem Cordial desconcerta a situação de privilégio do protagonista branco, em oposição ao que ocorre com os personagens negros, especialmente o menino desaparecido. O filme possui os recursos de acessibilidade legendas, audiodescrição e janela de Libras através do aplicativo MobiLOAD.

Merece destaque mais uma vez a continuidade de Chef Jack – O Cozinheiro Aventureiro, uma animação toda ela realizada em Minas Gerais e dirigida por Guilherme Fiúza Zenha. A trama é comum a vários filmes documentários sobre chefes de cozinha interessados em sair da mesmice dos restaurantes convencionais. No filme, Jack é um prodígio da “Cozinha Aventureira” e viaja por todo o mundo em busca dos ingredientes mais raros e apetitosos para suas receitas. Ele é um “cozinheiro” bem-conceituado, mas que, de repente, vê sua fama desmoronar. O filme comenta com inteligência a moda dos reality shows. O longa-metragem possui recursos de acessibilidade de legendas, libras e audiodescrição através do aplicativo MovieReading.

Seguindo com o compromisso de semanalmente exibir um filme da Seleção de Curta-metragem da Chamada Pública do Cine Brasília acompanhando um longa programado, apresentamos nesta semana, antes das sessões de Josep, o curta brasileiro Calunga Maior, de Thiago Costa, vencedor do troféu candango de Melhor Curta Júri Popular e Melhor Trilha Sonora no 55º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

ACESSIBILIDADE – A Sessão Acessível do Cine Brasília de maio exibe a comédia romântica Maria, de Iberê Carvalho, no dia 27, às 14h, com os recursos de audiodescrição e janela de libras para pessoas com deficiência e sala à meia luz e som mais baixo para pessoas com Transtorno do Espectro Autista. A sessão acessível vem para atender necessidades mais específicas, mas faz parte de um conjunto de recursos disponíveis no Cine Brasília.

Curtiu a programação?  Acompanhe os horários no site e aproveite para assistir importantes obras do audiovisual ao longo da semana. Desde 2022, a casa do cinema brasileiro possui uma nova gestão compartilhada entre a OSC Box Cultural e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. O espaço cultural segue sob a direção geral de Sara Rocha e curadoria de Sérgio Moriconi.

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