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DE 10 A 16 DE AGOSTO O CINE BRASÍLIA REALIZA UMA MOSTRA ESPECIAL DEDICADA AO PAI DO CINEMA AFRICANO, COM SESSÕES COMENTADAS E OFICINA

 

A mostra O Cinema de Ousmane Sembène, um tributo ao centenário do pioneiro dos cinemas africanos foi realizada pela Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes, através da Gerência de Cinema do Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte, passou pelo Cine Dragão em Fortaleza e agora chega ao Cine Brasília/ DF. A Embaixada da França no Brasil, a Cinemateca da Embaixada da França e o Institut Français são apoiadores do evento, que celebra os cem anos de nascimento de Ousmane Sembène – um dos mais importantes diretores da história do cinema. Na programação será exibida a obra completa do realizador senegalês e será promovida, em parceria com a RNP (Educação, Pesquisa e Inovação em Rede) e do Cinemas em Rede, uma oficina com a pesquisadora e curadora Janaina Oliveira. A mostra acontece de forma gratuita no Cine Brasília, do dia 10 a 16 de agosto, com retirada de entradas na bilheteria do cinema de 9h às 21h. Programação Gratuita.

O primeiro longa-metragem dirigido por Sembène, A NEGRA DE (La Noire de…, 1966), será a abertura do evento – na quinta-feira (10/08), às 19h30. O filme traz a história de Diouana, jovem senegalesa que se muda de Dakar para a Riviera Francesa para trabalhar na casa de um casal francês e se vê cada vez mais presa em um sistema opressor e racista. Outro destaque da programação é MANDABI (Le Mandat, 1968), primeiro filme do diretor falado em Wolof, sua língua natal. No filme, o chefe de família desempregado, Ibrahim Dieng, tenta receber uma ordem de pagamento enviada da França por seu sobrinho, mas esbarra constantemente na burocracia e entraves deixados pelo colonialismo. Ainda em destaque na programação, será exibido MOOLAADÉ (2004) – que aborda de forma crítica a questão da mutilação genital feminina. Filmado em Burkina Faso, esse foi o último filme de Sembène – que faleceu em 2007.

Nascido na cidade pesqueira de Zinguinchor, no Senegal, Sembène é considerado por muitos como o grande pioneiro do cinema africano. Escritor e ativista incansável, Sembène elegeu o cinema para falar com todo o continente e atuar em defesa dos povos africanos contra os danos da colonização europeia, que permaneceu existindo mesmo após a independência nos anos de 1960. Os filmes do realizador inauguraram novas possibilidades para ver e pensar a África, lançando as bases estéticas e políticas para um cinema feito por africanos, com histórias africanas e para um público africano. Sembène trouxe para sua filmografia temas sensíveis,abordando pautas que colocavam o matriarcado africano como centro da resistência no continente.

Contemplando as cinco décadas de produção do realizador (dos anos 1960 ao início dos anos 2000), e toda sua produção em termos de longas metragens, a mostra também exibirá os filmes: CEDDO (1977), XALA (1975), CAMPO DE THIAROYE (Camp De Thiaroye, 1988) GUELWAAR (1992). Integram também a programação BORROW SARRET (1963), NIAYE (1964), ALBOURAH (1964) e TAUW (1970), curtas-metragens do início da carreira de Sembène. Contaremos com sessões apresentadas pela curadora e pesquisadora Janaína Oliveira, que também ministra uma oficina gratuita sobre o tema na sexta-feira (11/08), no Cine Brasília.

OFICINA: OUSMANE SEMBÈNE, O CINEMA E A ÁFRICA

Na sexta-feira (11 de agosto), às 14h30, a curadora da mostra e pesquisadora Janaína Oliveira ministra a Oficina “Ousmane Sembène, o cinema e a África”. A oficina gratuita é uma parceria com a RNP (Educação, Pesquisa e Inovação em Rede) e do Cinemas em Rede. As inscrições gratuitas vão até dia 10.08 e o link você encontra aqui.

Os filmes de Ousmane Sembène inauguraram novas possibilidades para ver e pensar a África, lançando as bases estéticas e políticas para um cinema feito por africanos, com histórias africanas e para um público africano. Considerado por muitos como o “pai do cinema africano”, sua atuação foi muito além das telas. Sembène foi um verdadeiro catalizador na criação de meios de produção e circulação de filmes, fundando e estimulando o desenvolvimento de debates e festivais que hoje marcam a trajetória das cinematografias africanas. A Oficina Ousmane Sembène, o cinema e a África pretende refletir sobre as múltiplas dimensões da obra do realizador senegalês, considerando ainda suas ações no campo das políticas de cinema no continente, o diálogo com os cineastas de sua geração e sua influência nas gerações seguintes.

JANAÍNA OLIVEIRA – Pesquisadora e curadora independente. É doutora em História, professora no IFRJ – Instituto Federal do Rio de Janeiro, e foi Fulbright Scholar no Centro de Estudos Africanos na Universidade de Howard, em Washington D.C. (EUA). Desde 2009, desenvolve pesquisa sobre as cinematografias negras e africanas, atuando também como curadora, consultora, júri e painelista em diversos festivais e mostras de cinema no Brasil e no exterior. Em 2019 realizou a mostra “Soul in the eye: Zózimo Bulbul’s legacy and the Contemporary Black Brazilian Cinema” no IFFR – International Film Festival Rotterdam (Países Baixos). Foi também consultora de filmes da África e da diáspora negra para o Festival Internacional de Locarno (Suíça) entre 2019 e 2020. É idealizadora e coordenadora do FICINE – Fórum Itinerante de Cinema Negro e foi a programadora do Flaherty Film Seminar (EUA) em Julho de 2021. Entre 2021 e 2022, Janaína fez a curadoria internacional das mostras principais das duas edições Semana de Cinema de Negro de Belo Horizonte (Brasil). Atualmente, além de participar de outras iniciativas curatoriais, é Presidente do Comitê de Seleção de filmes de documentário de longa-metragem do BlackStar Film Festival (EUA).

Data: 11/08/2023
Horário: 14h30 às 17h30
Carga horária: 3h

 

PROGRAMAÇÃO

10/08 | QUINTA-FEIRA

19h | SESSÃO DE ABERTURA | 14 anos | 67min
A Negra De (La Noire de…)
Uma jovem senegalesa (Mbissine Thérèse Diop) sonha com uma vida melhor no exterior. Ela aceita um emprego como governanta de uma família francesa, mas seus deveres são reduzidos aos de uma empregada após a família se mudar para o sul da França. No novo país, ela é consciente de sua raça ao ser maltratada por seus empregadores.
Sessão apresentada pela curadora Janaína Oliveira.

 

11/08 | SEXTA-FEIRA

14h30 – Oficina “Ousmane Sembène, o cinema e a África”, ministrado por Janaína Oliveira na Varanda Sul do Cine Brasília.

Os filmes de Ousmane Sembène inauguraram novas possibilidades para ver e pensar a África,  lançando as bases estéticas e políticas para um cinema feito por africanos, com histórias africanas e para um público africano. Considerado por muitos como o “pai do cinema africano”, sua atuação foi muito além das telas. Sembène foi um verdadeiro catalizador na criação de meios de produção e circulação de filmes, fundando e estimulando o desenvolvimento de debates e festivais que hoje marcam a trajetória das cinematografias africanas. A Oficina Ousmane Sembène, o cinema e a África pretende refletir sobre as múltiplas dimensões da obra do realizador senegalês, considerando ainda suas ações no campo das políticas de cinema no continente, o diálogo com os cineastas de sua geração e sua influência nas gerações seguintes.

18h | Livre | 1h44min
O Carroceiro (Borom Sarret), Ousmane Sembène, Senegal / França, 1963 | 19min
Um jovem carroceiro (Ly Abdoulay) em Dakar é assaltado por uma série de passageiros desonestos. Quando sua carroça é confiscada pela polícia, ele perde não apenas seu meio de subsistência, mas também sua única reivindicação de auto-respeito em uma comunidade explorada e empobrecida.

Niaye, Ousmane Sembène, Senegal / França, 1964 | 31min
A gravidez de uma jovem escandaliza sua comunidade.

Tauw, Ousmane Sembène, Senegal / França, 1970 | 27min
Tauw (Mamadou M’Bow) é um jovem desempregado que se livra das acusações de ser preguiçoso e busca arranjar um lar para a namorada grávida, que foi rejeitada pela família.

Albourah, Ousmane Sembène, Senegal / França, 1964 | 26min
O dia amanhece em Dakar. Um carroceiro (Ly Abdoulay) deve lutar todos os dias para alimentar sua família e seu cavalo. Albourah, o cavalo do carroceiro, relata o dia de trabalho com seu mestre.

Sessão apresentada pela curadora Janaína Oliveira.

20h20 | 12 | 1h31min
Mandabi (Le Mandat), Ousmane Sembène, Senegal / França, 1968
Ibrahim Dieng (Makhouredia Gueye) está desempregado e precisa sustentar sua família. Certo dia, ele recebe uma ordem de pagamento, mas para descontar o cheque ele precisa apresentar um documento de identidade, o que não tem. Começa assim uma correria absurda no mundo da burocracia senegalesa, onde Ibrahim acaba lidando com corrupção, ganância, problemas familiares e até mesmo com a modernização da vida ao seu redor.

 

12/08 | SÁBADO

19h30 | 16 anos | 2h
Moolaadé, Ousmane Sembène, Senegal / Burkina Faso / Marrocos / Tunísia / Camarões /França, 2004
Com medo de sofrer mutilação genital, um grupo de meninas foge de sua própria cerimônia de “purificação” e se refugia com Collé (Fatoumata Coulibaly), uma mulher que poupou sua filha do mesmo destino. Collé invoca a força da tradição através de um espírito ancestral para proteger as meninas, o que causa muita consternação entre os anciãos da aldeia. Em retaliação, eles confiscam os rádios das aldeãs e exigem que a inovação seja quebrada, mas Collé se mantém firme em sua luta.

Sessão apresentada pela curadora Janaína Oliveira.

 

13/08 | DOMINGO

17h | 14 anos | 1h52min
Ceddo, Ousmane Sembène, Senegal / França, 1977
Em protesto contra a conversão forçada ao Islã, os Ceddo (forasteiros) sequestram a filha do rei (Matoura Dia), a princesa Dior Yacine (Tabata Ndiaye) e a mantêm como refém.

Sessão apresentada pela curadora Janaína Oliveira.

19h30 | 14 anos | 2h35min
Campo de Thiaroye (Camp de Thiaroye), Ousmane Sembène e Thierno Faty Sow, Senegal /Argélia / Tunísia, 1988
Inspirado em Histórias Reais. No Senegal, em 1944, um batalhão de atiradores chega ao campo de trânsito de Thiaroye para ser desmobilizado. Eles voltam da Europa onde combateram contra os alemães para libertar a metrópole. O orgulho de velhos combatentes é rapidamente substituído pela desilusão perante as promessas não cumpridas, em relação, sobretudo, às suas economias, às humilhações e ao racismo na hierarquia militar.
Sessão apresentada pela curadora Janaína Oliveira.

 

14/08 | SEGUNDA-FEIRA

17h | 12 anos | 2h
Faat Kiné, Ousmane Sembène, Senegal, 2000
Uma mulher de quarenta anos se recusa a ceder ao estigma da mãe solteira, ela busca iniciar uma escalada rumo ao sucesso em um mundo dominado por homens.

19h30 | 12 anos | 1h40
Emitaï, Ousmane Sembène, Senegal / França, 1971
Aldeãs senegalesas se revoltam com as incursões francesas na vida na aldeia.

 

15/08 | TERÇA-FEIRA

19h30 | 14 anos | 2h05
Xala, Ousmane Sembène, Senegal, 1975
Um político corrupto é amaldiçoado com impotência na noite de seu terceiro casamento depois de desviar cem toneladas de arroz.

 

15/08 | QUARTA-FEIRA

19h30 | 12 anos | 1h50
Guelwaar, Ousmane Sembène, Senegal / França / Alemanha / EUA, 1992
O enterro de um ativista político cristão em um cemitério muçulmano inflama um conflito de fervor religioso. Um retrato satírico da religião e da política; por vezes bem-humorado, por vezes mortalmente sério.

 

 

 

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